sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mestre do Realismo

Por Bruna Viel e Fernanda Machado


Eça de Queirós nasceu dia 25 de novembro de 1845 em Póvoa do Varzim, Portugal. Passou boa parte da vida como filho ilegítimo, já que seus pais se casaram quando ele já tinha 4 anos, mas foi registrado por sua mãe apenas aos 40 ficando até então registrado como filho de ''mãe incógnita''. Em 1861 matriculou-se na Universidade de Coimbra, no curso de Direito. Foi lá que conheceu Antero de Quental e Teófilo Braga - revolucionários de letras e políticas portuguesas - mas nunca se envolveu na polêmica conhecida por questão Coimbrã (1865-1866), que opunha os jovens estudantes aos mais conhecidos representantes da segunda  
 geração romântica.
Após se formar passou a advogar, porém desistiu da carreira e se dedicou ao jornalismo criando o jornal “O Distrito de Évora” para criticar a política e depois colaborou na “Gazeta de Portugal”. Suas primeiras experiências literárias começaram durante suas viagens como jornalista para diversos países escrevendo e publicando as impressões dos lugares. Teve participação fundamental na implantação do realismo em Portugal, embora seus primeiros livros tenham mais caracteristícas naturalistas, como “O Crime do Padre Amaro”, o qual escreveu a primeira versão quando viajou para os EUA, pois estava trabalhando como cônsul em países como Havana, Cuba, Inglaterra e Paris onde morreu em 1900.
A obra teve sua versão definitiva publicada em 1880 buscando retratar a realidade de forma objetiva denunciando a corrupção dos padres, que manipulavam a população em prol da elite, e polêmica do celibato clerical. A narrativa foi escrita em terceira pessoa e o narrador é onisciente - conta a história com conhecimento dos pensamento e das ações dos personagens - facilitando o processo de distanciamento entre o autor e a obra. Fica claro que o autor apresenta uma postura anticlerical, retratando os padres e beatas com ironia e adjetivos rudes, o que ocasionou na proibição do livro em muitas escolas de Portugal e do Brasil durante décadas.
O enredo conta sobre Amaro que após perder os pais vai para um seminário por desejo de sua protetora, a Marquesa de Alegros. Assim que vira padre, tem que assumir a paróquia da freguesia da Sé, em Leiria. Na província é acolhido pela senhora Joaneira, que o hospeda em sua casa. A anfitriã tem uma filha chamada Amélia que acaba despertando o desejo de Amaro. Devido a personalidade fraca e facilmente influenciável de ambos, os dois se envolvem desencadeando a traição da jovem com seu futuro marido, João Eduardo. 
Amaro estranha o fato de seus colegas acharem normal sua relação com a beata e descobre que até seu mestre, cônego Dias, mantém um caso amoroso com a mãe da jovem. O padre se torna cada vez mais inescrupuloso deixando-se levar apenas pela atração sexual até que Amélia engravida e é mandada para a roça para evitar um escândalo. A jovem morre no parto e seu filho é enviado a uma ''Tecedeira de anjos'', mulher que mata recém nascidos indesejados. 
Diante do que foi apresentado no livro, os traços naturalistas ficam evidentes ao se analisar os personagens patológicos, que ilustram o homem em sua parte mais animal, portanto instintiva, e o tema abordado, já que em outros movimentos literários, como por exemplo o romantismo, não se falava sobre assuntos polêmicos como o celibato. O difícil é definir se o título da estória refere-se ao crime de assassinato cometido pelo padre a seu próprio filho ou a quebra do seu voto de castidade.
Sendo assim, o leitor consegue entender e imaginar como era a sociedade na época em que Eça de Queirós escreveu a obra. O mundo estava passando pela grande Revolução Industrial sofrendo mudanças constantes nos campos políticos, sociais e econômicos. Como consequência, a area da cultura também, tendo os ramos artísticos, musicais e principalmente literários interferidos. 
A literatura passou de uma escola literária muito marcante, o Romantismo, para o Realismo-Naturalismo, que foi uma fase acentuada pela expressão das ideias de forma direta. 
Os grandes escritores, como Eça, ao ter alguma crítica, transformavam as pessoas e situações reais em personagens escrevendo livros como uma forma da sociedade ler e saber como tudo realmente era.
Portanto, não há melhor forma de entender um período a não ser lendo sobre pessoas que o viveram e suas ideias, críticas e sugestões. Por conseguinte, a leitura de “O Crime do Padre Amaro” se tornou uma peça fundamental para o entendimento da sociedade na época da Revolução Industrial, da transição dos movimentos literários, das consequências de um suposto crime, e principalmente do conhecimento dos diferentes tabus, costumes, ideologias e crenças presentes no período.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Últimos tempos..

Quaanto tempo que não posto aqui.
Tenho meus motivos! Facul está me deixando DOIDA!
Última semana de aula.. só mais 2 trabalhos e uma prova! #nemacredito

Meu feriado?
HAHA

Intercomp não é de Deus gente!
Juro!
Quando você acha que não pode haver alguém pior que a última que você viu.. HÁ!
Somos surpreendidas novamente! ;D

Eu nem vou comentar muito, mas uma coisa eu digo:
"AAAII QUE BOOM SERIAAAA SE INTERCOMP FOSSE TODO DIAAAAA!"



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Make ur wish

Make a wish and place it in your heart.
Anything you want, everything you want. Do you have it? Good. Now believe it can come true. 
You never know where the next miracle is gonna come from, the next smile, the next wish come true. But if you believe that it's right around the corner, and you open your heart and mind to the possibility of it, to the certainty of it. You just might get the thing you're wishing for. 
The world is full of magic. You just have to believe in it. So make your wish. Do you have it? Good. Now believe in it. With all your heart. *˜



˜* Faça um pedido e guarde-o em seu coração. O que você quiser.. Tudo o que quiser. Você tem? Ótimo. Agora acredite que possa se tornar realidade.
Nunca se sabe de onde o próximo milagre vai vir, o próximo sorriso, o próximo desejo tornado realidade. Mas se acreditar que está bem ali na esquina e abrir o seu coração e mente para essa possibilidade, para essa certeza, você acaba conseguindo aquilo que deseja. 
O mundo é cheio de mágica. Você apenas precisa acreditar nela. Então faça seu pedido. Você tem? Ótimo. Agora acredite.


One Tree Hill 5x13

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Somente eu

Difícil escrever sobre algo incerto.
Algo que está em cima do muro e não faz a menor ideia se cai pra lá ou pra cá. Mas eu também não sei pra que lado que eu quero que penda.
Escolhas são tão difíceis que, por mim, podem passar semanas que eu só saberei o que fazer quando estiver cara a cara com o problema. Sem tempo pra pensar, sem tempo pra refletir nada. Apenas ir com o impulso do meu corpo e alma para o ângulo que julgar mais correto.
Posso até chamar isso de intuição, pois acredito nessas coisas - ainda mais porque nesses últimos tempos tive as mais sinceras provas de que minha intuição não falha -, mas ainda mais posso chamar de saber o que é certo pra mim. E só quem sabe isso é nada menos do que eu mesma.
Eu mesma. Prazer. Fernanda, libriana, jornalista, indecisa, teimosa e apaixonada por tudo que pode me levar daqui pro mundo - esse ou qualquer outro.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Como abstinência química, dieta e sapato novo. 
Igual a primeiro emprego, aparelho nos dentes e depilação recente. 
Parecido com capítulo inicial de novela, de livro e semana de prova.
Idêntico a cirurgia, volta às aulas, academia e perdas...


O primeiro dia é o pior.


terça-feira, 13 de abril de 2010

Globalization, honey!

A cultura local está se perdendo?
Proveniente de evoluções e avanços principalmente nos meios de transporte e de comunicação durante o decorrer das décadas, a globalização é o único fenômeno social que ainda ocorre em escala global envolvendo a economia, a sociedade, a cultura e a política dos diferentes países. Com a queda do socialismo, o sistema capitalista predominou mundialmente e assim, a globalização surgiu como uma fase mais avançada para atender as necessidades da nova ordem e dos países desenvolvidos para que eles pudessem explorar novos mercados já que o consumo interno estava ficando escasso.  
Porém, esse processo de estabelecimento de uma economia de caráter mundial não é recente. Na época colonial houve inúmeras tentativas de integrar espaços intercontinental em um único reino. E desde esse período, as gerações colocaram como meta a ligação das culturas e povos como “um único mundo”.
A globalização tem três fases. A primeira foi marcada pelo expancionismo mercantilista e a expansão marítima visando sempre a acumulação de riquezas. A segunda fase é caracterizada pela Revolução Industrial acarretando a introdução das máquinas, a ampliação do mercado e as novas formas de obter-se matéria prima. E a última fase, globalização recente, começou no século XX quando o capitalismo predominou e os Estados Unidos foram denominados a superpotência mundial. A partir daí, o mundo adotou cada vez mais as mudanças incluindo a implantação do idioma inglês como língua universal, a introdução de multinacionais nos países, a facilitação de obter e enviar informações a qualquer hora em qualquer lugar do mundo, a rapidez na locomoção entre os continentes e a velocidade de expansão a partir da criação de um novo produto até a venda dele em todos os países. 
Assim, fica evidente o impacto que a globalização tem sob as diferentes culturas e países. Grandes chavões são utilizados para falar desse processo na atualidade, como: “Nós vivemos na era da globalização, tudo converge, os limites vão desaparecendo”, “tudo está relacionado com a unificação e a adaptação das culturas”. Dessa forma, muitos debates são iniciados mas poucos são finalizados com alguma conclusão concreta. Essas discussões têm como principal base o medo de homogeneizar as culturas, a suposição de uma sociedade mundial, de uma paz mundial ou simplesmente de uma economia mundial que acarretaria a uma unificação dos modelos de consumo e uma massificação cultural. 
Esse temor vem principalmente de países que tem a sua própria cultura, mas que está sendo comprimida por costumes estrangeiros mesmo involuntariamente, pois se um país não adapta-se aos avanços dos outros, ele não desenvolve-se e nem acompanha a evolução internacional. Dessa forma, o receio da cultura ser explicitamente considerada um produto é muito alto. 
Segundo o presidente do Programa Sociedade da Informação do Brasil, Tadao Takahashi, no texto “Diversidade Cultural e Direito à Comunicação”, o primeiro item nas exportações norte americanas atualmente não são os manufaturados, mas sim a exportação de cultura de entretenimento. Esse dado é positivo para a economia, mas também representa uma preocupação para as futuras gerações já que a globalização é o recurso que as grandes potências utilizam para propagar sua própria cultura, impondo-a em lugares com culturas não-centrais através das tecnologias de informação, principalmente a internet que é produzida de forma industrial e massiva. 
Para Takahashi, a comunicação envolve a globalização e a sustentação da diversidade cultural e é com ela que uma pessoa expressa sua identidade, opinião e intenção e a coloca em confronto com a dos outros indivíduos. Dessa forma, a cultura é disseminada e aprendida por outras e transforma as tecnologias de informação - que facilitam essa relação - meios indispensáveis na formação de pessoas que não tiveram a oportunidade de ter o acesso a todos os dados culturais de sua sociedade. 
Sendo assim, se a cultura for unificada e tudo for massificado, nada restará para compartilhar, descobrir e explorar, pois tudo será tratado da mesma maneira em todos os lugares. Dessa forma, há providências sendo tomadas em diversos países ao redor do mundo visando a preservação da cultura local.  Porém, muitos projetos afrontam-se com os interesses econômicos e políticos sendo impedidos de serem aprovados. No Brasil, a Lei da Câmara 59/03 encontra-se nessa situação. Essa lei foi proposta há 13 anos pela deputada Jandira Feghali e visa a regionalização da programação cultural, artística e jornalística de rádio e televisão e continua sob avaliação no Congresso. 
Portanto, a globalização é vista de diferentes ângulos com diferentes interpretações. Há os que afirmam que ela impulsiona o desenvolvimento da comunicação e interação das diferentes culturas ajudando na economia. E há aqueles que dizem que a globalização ajuda até um certo ponto, mas que ela interfere muito na vida das pessoas pois elas passam a viver de acordo com o que os países de maior poder implantam deixando de lado os valores de sua cultura e passam a ver o mundo com os olhos de um país no qual não fazem parte. 
Contudo, não há como negar a globalização, pois ela já faz parte da vida de cada indivíduo, mas se as diferentes sociedades não souberem separar o que é massificação e influência estrangeira desnecessária do que pertence originalmente do seu país, a imagem da globalização ficará distorcida e as futuras gerações perceberão que ela não é tão eficaz quanto o mundo atual classifica. 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

If you just realize..



Realize

Compreenda

Take time to realizeLeva tempo para compreender
That your warmth isQue seu calor está
Crashing down on meEstatelando-se sobre mim
Take time to realizeLeva tempo para compreender
That I am on your sideQue eu estou do seu lado
Well didn't I, didn't I tell youBem eu não, eu não te disse?
But I can't spell it out for youMas eu não posso soletrar para você
No it's never gonna be that simpleNão, nunca será simples assim
No I can't spell it out for youNão, eu não posso soletrar para você
If you just realizeSe você apenas compreendesse
What I just realizedO que eu acabei de compreender
That we'd be perfect for each otherQue nós seríamos perfeitos um para o outro
And we'll never find anotherE nós nunca acharemos outro
Just realizeApenas compreenda
What I just realizedO que eu acabei de compreender
We'd never have to wonderNós nunca teriamos que nos perguntar
If we missed out on each other, nowSe perdemos um ao outro, agora
Take time to realizeLeva tempo para compreender
Oh oh, I'm on your sideOh oh, eu estou do seu lado
Didn't I, didn't I tell youEu não, eu não te disse?
Take time to realizeLeva tempo para compreender
This all can pass you byIsso tudo pode passar por você
Didn't I tell youEu não lhe disse?
But I can't spell it out for youMas eu não posso soletrar para você
No, it's never gonna be that simpleNão, nunca será simples assim
No, I can't spell it out for youNão, eu não posso soletrar para você
If you just realizeSe você apenas compreendesse
What I just realizedO que eu acabei de compreender
That we'd be perfect for each otherQue nós seríamos perfeitos um para o outro
And we'll never find anotherE nós nunca acharemos outro
Just realizeApenas compreenda
What I just realizedO que eu acabei de compreender
We'd never have to wonderNós nunca teriamos que nos perguntar
If we missed out on each other, butSe perdemos um ao outro, mas
It's not the sameNão é a mesma coisa
No it's never the sameNão, nunca é a mesma coisa
If you don't feel it tooSe você não sente isso também
If you meet me half waySe você me encontrar no meio do caminho
If you would meet me half waySe você quiser me encontrar no meio do caminho
It could be the same for youPoderia ser o mesmo para você
If you just realizeSe você apenas compreendesse
What I just realizedO que eu acabei de compreender
That we'd be perfect for each otherQue nós seríamos perfeitos um para o outro
And we'll never find anotherE nós nunca acharemos outro
Just realizeApenas compreenda
What I just realizedO que eu acabei de compreender
We'd never have to wonderNós nunca teriamos que nos perguntar
If we missed out on each otherSe perdemos um ao outro
Just realizeSe você apenas compreendesse
What I just realizedO que eu acabei de compreender
That we'd be perfect for each otherQue nós seríamos perfeitos um para o outro
And we'll never find anotherE nós nunca acharemos outro
Just realizeApenas compreenda
What I just realizedO que eu acabei de compreender
We'd never have to wonderNós nunca teriamos que nos perguntar
If we missed out on each other, nowSe perdemos um ao outro, agora
Missed out on each other nowPerdemos um ao outro agora
Missed out on each other nowPerdemos um ao outro agora
Missed out on each other now owa, owa ohhPerdemos um ao outro agora, owa, owa ohh
RealizeCompreenda
RealizeCompreenda

quinta-feira, 25 de março de 2010

"Modern Times"













Estados Unidos, 1936
Direção e Roteiro de Charlie Chaplin
Elenco
Charlie Chaplin
Paulette Goddard
Henry Berman
Stanley Sandford
Chester Conklin





“Uma história da indústria, da empresa individual - uma cruzada da humanidade em busca da felicidade.”


Estrelado pelo cineasta britânico Charlie Chaplin, Modern Times é um filme que relata a vida de um homem tentando sobreviver à vida moderna e industrializada.
O filme inicia com Carlitos (Chaplin), trabalhador de uma fábrica que tem uma crise por trabalhar de forma escrava sem ter nem o tempo devido de descanso. Ele é levado para um hospício e quando retorna, a fábrica foi fechada. 
Sem querer, Carlitos se envolve em uma manifestação e é acusado de ser o líder da passeata. Ao ser levado para prisão, descobre que tem tudo o que precisa para sobreviver sem ter que sair da cadeia, porém ele é libertado por bom comportamento.   
Enquanto isso, uma moça (Paulette Goddard), orfã de mãe, irmã de duas meninas pequenas e filha de um pai desempregado, é obrigada a fazer pequenos furtos para ajudar a família. Após a morte de seu pai em uma manifestação, agentes do governo  decidem colocá-la junto de suas irmãs para a adoção, mas a garota foge.
Em um de seus roubos a jovem é pega, mas Carlitos vê o ocorrido e decide entregar-se em seu lugar, pois faria de tudo para voltar ao conforto de sua ex cela.  Porém, a tentativa falha pois uma mulher presenciou o ato da jovem e desmente fazendo com que tanto Carlitos quanto a moça sejam presos. No caminho à cadeia, os dois conseguem fugir e em uma conversa em frente a uma casa decidem que ele irá trabalhar, ter dinheiro, comprar uma casa e a jovem cuidará de tudo para ele.  
Mais tarde, o homem consegue emprego em outra fábrica, mas os operários logo entram em greve e ele envolve-se em mais outra confusão ao atingir sem querer um policial com um pedra. A jovem consegue um trabalho como dançarina em um salão de música e ao ver que seu amigo está desempregado novamente, ela o convida e convence seu chefe a contratar Carlitos afirmando que ele faz um pouco de tudo.  
Quando eles começam a se dar bem no salão, os agentes do governo reaparecem e dizem estar procurando a jovem que fugiu. Eles fogem mais uma vez e seguem por uma estrada sem rumo,  procurando sempre uma maneira de sobreviver no mundo tão diferente ao que estavam acostumados. 
    Assim, o último filme mudo de Charlie Chaplin nos mostra como foi difícil para os trabalhadores das zonas urbanas dos Estados Unidos depois da crise de 1929 quando a depressão afetou toda a sociedade causando a grande parte da população o desemprego e a fome.
A primeira parte do filme trata do capitalismo e como ele afetou a vida dos trabalhadores já que eles foram obrigados a se adequar às novas técnicas sem poder expressar sua opinião, os donos dos meios de produção exploravam essa mão de obra fazendo-os trabalhar cada vez mais por um salário cada vez menor para, assim, aumentar a produtividade e o lucro de suas empresas. A luta per melhores salários e cargas horárias menores foram constantes nos tempos da Revolução Industrial e isso é bem marcado no filme.
Na segunda parte, as dificuldades financeiras das classes mais desprovidas de recursos e como a burguesia explora o proletariado é bem acentuada. E mesmo com todas essas dificuldades, os protagonistas mostram que não desistiram tão fácil de se dar ao direito de viver e não só trabalhar. 
Mesmo fracassando nos EUA, proibido na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini por ser acusado de ser “socialista”, Tempos Modernos hoje é um clássico na História não só do cinema mudo, mas também da história do capitalismo.
Visando o conceito da capacidade tecnológica, está bem perceptível no filme o quanto eles tinha sede por inovações para que os trabalhadores produzissem cada vez mais em menor tempo. Isso se materializa quando é criado um aparelho que “facilita” a alimentação dos operários, mas que causou mais problemas do que soluções ao quererem criar uma máquina que aumentasse a rapidez da refeição, diminuísse o tempo de almoço para que os operários voltassem mais rápido à produção.
E é por essas e outras que podemos comparar nossa realidade com o filme. Os problemas nele tratados, como os modos de produção capitalista, a ambição dos burgueses e as condições dos trabalhadores ainda se manifestam atualmente. No Brasil ainda existe o trabalho escravo - mesmo que escondido, há empresas nas quais os superiores exploram o lucro retirado dos trabalhadores, o surgimento dos subempregos e há também o grande problema do salário baixo que mesmo que tenha tido aumento nesses últimos anos, ele não supre as necessidades do mercado atual já que ele avança a cada mês. 



segunda-feira, 15 de março de 2010

Ruim com eles, pior sem eles.




Para uma sociedade se manter em ordem e a convivência social ser viável, limites são impostos dentro dela. Esses limites são as leis criadas pelo poder legislativo e o direito colocado para cada cidadão garante o comportamento humano através das regras.
     Uma das principais leis do direito, o de ir e vir, está sendo lentamente violada. No inciso XV do artigo 5o da Constituição diz: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. Portanto, ao dirigir por vias públicas, não é necessário pagar nenhum tipo de taxa, já que quando os motoristas abastecem seus respectivos automóveis, uma parte do dinheiro já é destinado à manutenção de estradas. 
     Porém, em dezembro de 1988, foi aprovado o regulamento que permite a cobrança de pedágio nas rodovias federais através do Decreto no. 97.532/89. O artigo 2o desse Decreto diz que: “a finalidade do pedágio é arrecadar recursos visando a conservação de rodovias federais, compreendendo as atividades de manutenção, restauração, melhoramento e adequação de capacidade d via conservada, bem como às necessidades da segurança do trânsito”.
     Ao olhar por esse lado, a cobrança dessa taxa é viável à população, pois o dinheiro seria investido tão somente na melhoria das rodovias, confortando qualquer trajetória. Mas esses bloqueios estão aumentando cada vez mais e espalhando-se pelos estados e cidades do país tornando-se um assunto polêmico principalmente nas cidades nas quais foram divididas por um deles. 
     O pedágio é um tipo de contrato realizado entre as concessionárias e o Governo a fim de investir no melhoramento das estradas cobrando uma taxa ao motorista que passa por elas para ressarcir os gastos, mas as principais indagações da população são de por quê deve-se pagar a taxa se ao abastecer o automóvel uma parte já é destinada a esse mesmo fundo? Muitas pessoas alegam não ter nenhuma lei concreta que permite a cobrança dos pedágios em entradas, saídas e até no meio de cidades. 
     Por outro lado, há pessoas que são a favor deles principalmente nas grandes estradas pois alegam diminuir a velocidade da passagem dos carros e consequentemente os acidentes. 
     O que muitas pessoas estão fazendo é passarem pelos pedágios sem pagar. Alguns “truques” foram mostrados por uma estudante de Direito em Pelotas. Ela se recusa a pagar pedágio, pois diz que isso infringe o seu direito de ir e vir e diz que a estrada é um bem público e não é justo pagar por algo que é dela também. Assim, afirma não pagar a taxa ao passar atrás de um carro que tenha parado ou ainda passar direto garantindo que a cancela, que barra os carros, é de plástico, não quebra, não arranha o carro e quando um carro passa por ali ela abre automaticamente. 
    Questionamentos não faltaram após a sua apresentação. As maiores dúvidas foram sobre possíveis multas e se o motorista que realizasse esse ato, não estaria destruindo algum patrimônio alheio. As respostas foram simples. De acordo com a estudante, juridicamente não há lei que permita a implantação de pedágios em estradas brasileiras. E sobre o patrimônio, ela afirma que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados. 
    A jovem conta que uma vez foi abordada pela Polícia Rodoviária e foi convidada a ser acompanhada a pagar o pedágio. Sem exitar,  ela perguntou ao guarda se ele prestava algum serviço à Concessionária ou ao Estado já que um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o Governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios é privada, ou seja, elas não tem ligação entre si. Além disso ela garante que o Estado está negando um direito de sociedade ao dizer que não há o que explicar se a constituição é clara ao dar o direito de ir e vir ao cidadão em todas as estradas do território nacional. A estudante concluiu seu curso em 2008 e garante que atuará na area necessária para continuar lutando pela causa do pedágio. 
       Ela é uma das milhares de pessoas que estão defendendo realmente essa questão. Os que não estão envolvidos em nenhuma das partes, só resta esperar e ver qual vai ser a decisão do governo sobre o assunto. 

sábado, 6 de março de 2010

Medo

medo
subst m medo ['medu] sentimento de inquietação perante eventual perigo

Perigo? Mas que perigo?
Perigo de talvez perder tudo, mudar de rumo e sumir do mundo sem deixar rastros?
Medo de fazer o que deseja, mas que no futuro pode não dar tantos retornos?

Penso, penso e penso.

Seguir com a minha ideia de desapego, ou me apegar de vez e ver no que dá?
Continuar centrada nas escrituras ou deixar meus pensamentos se perderem  num mundo alheio?

Tudo tão rápido. Tudo tão avassalador. Tudo tão tudo.






terça-feira, 2 de março de 2010

Édouard Boubat

Édouard Boubat
O fotógrafo que nos faz ver através de suas lentes
Por Fernanda Machado




 O fotógrafo francês Édouard Boubat, nasceu em 1923, em Paris. Seu interesse pela fotografia começou aos 23 anos quando o mundo estava vivenciando a Segunda Guerra Mundial. Com a paixão por sua cidade natal, Boubat passou a registrar a vida cotidiana na capital francesa do país pós-guerra. 
Aos 28, atingiu o nível profissional quando participou de uma exposição coletiva na livraria Hune em Paris, ganhou o Prêmio Kodak do Salão de Fotografia de Paris e em seguida foi chamado para ocupar o cargo de fotojornalista na luxuosa e profusamente ilustrada Revista Réalités. A revista era politicamente posicionada ao centro embora fosse reputada de direita e era conhecida também como “observatório do mundo”, pois a televisão estava  dando os seus primeiros avanços e as viagens não eram comuns para a sociedade propria-mente dita. A partir desse momento, a vida de Édouard Boubat foi tomada por viagens para diversos países em todos os cantos do mundo e, consequentemente, seu trabalho passou a ser comparado ao de talentosos profissionais humanistas da época, como Robert Doisneau e Willy Ronis.
Por toda a sua jornada, Boubat presen-ciou momentos únicos e indescritíveis, mas que com apenas um click nos faz parar e notar cada detalhe para tentarmos sentir, entender e expressar o que  vemos. Assim, há quem diga que suas fotografias são uma celebração da vida, já que ele consegue passar para a foto tudo o que viveu e sentiu no exato momento da captura.

Boubat: “- Borges escreveu: ‘Cada homem que lê Shakespeare é Shakespeare.’ Quando você ouve Mozart, você é Mozart. Lembro estas palavras de Mozart: ‘Os únicos momentos toleráveis em minha vida são quando eu componho.’ Ele tinha dívidas, não tinha o que comer, mas quando estava compondo ele era mais do que Mozart, estava em um outro estado. Se você quiser, este é meu segredo. A parte mais bonita da fotografia é o momento de disparar, o momento em que faço um retrato, ou uma paisagem, então Boubat já não existe. Este é o segredo: não há nenhum Boubat, nenhuma cidade indiana, nestes breves momentos nos transformamos em parte de um todo, já não estamos separados da paisagem, da pessoa na nossa frente. Isso é porque eu não observo os detalhes: porque não há nenhum detalhe, eu não os vejo.” Paris, julho de 1986



E é com essas palavras que Boubat consegue prender a nossa atenção e nos força a tentar entender o que ele estava pensando no momento. O que a paisagem estava proporcionando ao fotógrafo e em qual sintonia os personagens estavam na hora da captura. Quanto mais pensamos e analisamos, mais ficamos curiosos para nos conectarmos àquele momento. 
    Conseguimos realmente perceber que em suas fotos, Édouard Boubat sai de si e liga-se com o que está capturando.
    Boubat é muitas vezes descrito como o "fotógrafo da felicidade" e "correspondente da paz ". Jacques Prevert, poeta e roteirista francês, em uma exposição em Paris se referiu a Boubat dizendo: "O que mais? Existem apenas ver o que Boubat vê e nos faz ver. Nas terras mais distantes ou grandes desertos do tédio, ele procura e encontra um oásis" .
     Boubat deixa sua mente e sua ideia o levar. Sua teoria era de que o fotógrafo é quem vê, conta o que vê e tem o objetivo de fazer com que o outro veja através da lente dos seus olhos e criar uma linha paralela entre a impessoalidade e os sentimentos. Para tudo isso acontecer, o fotógrafo precisa ser único e ao mesmo tempo ter suas particularidades para permanecer insubstituível e entrar em um nível universal.
      Para ele, a opção de não aparecer no momento da fotografia era como se tirasse sua própria roupa para ser mais um objeto na cena. Exatamente por ser mais um objeto, ele era capaz de mostrar descrições enxutas e exatas do que estava à sua volta. Estava totalmente no tempo presente e toda vez que olhamos uma fotografia dele, parece que nos transportamos para o exato momento e local da captura e termos a sensação de também estar vivendo aquilo e passamos assim, a fazer parte também da foto.
    E é por essas e outras que Édouard Boubat ganhou ao longo de sua vida grandes prêmios como o
Prix du Livre (1977), Grand Prix National de la Photographie (1984) e Grand Prix de la Fondation Hasselblad (1988).


      Na França, os trabalhos de Boubat são separados em dois temas principais. Primeiro a “felicidade imprudente” com imagens de cultos e celebrações que nos transmite o sentimento do personagem principal da imagem, crianças despreocupadas de shorts rasgados que brincam nas ruas ou na neve dos Jardins de Luxemburgo, os quais nos faz abrir um sorriso no canto da boca e chegar a ouvir suas risadas por estarem realmente se divertindo, e de amantes desassossegados, entrelaçados, sozinhos no mundo, que nos mostra que todos temos um mundinho particular e só participa quem realmente desejamos. 
      E na segunda, mas não menos importante categoria, a das mulheres. Sua primeira musa foi Lella. Longos cabelos ondulados ao vento, blusa transparente e com um olhar sonhador que nos faz imaginar no que ela estava pensando, o que ela estava fazendo ali, se estava esperando ou avistando alguém e o que ela almejava naquele exato momento. 
    Com Boubat, nossa mente viaja através do tempo e ultrapassa qualquer barreira de espaço. Podemos ficar horas observando suas obras, e exercitando o prazer de imaginar o que o outro pensa e o por que de suas expressões faciais e corporais.


"Uma foto é como um beijo roubado. De fato, um beijo é roubado sempre, mesmo se a mulher estiver consentindo. Com uma fotografia é o mesmo: roubado sempre, e ainda ligeiramente consentindo.” - Édouard Boubat