sexta-feira, 20 de maio de 2011

SUSPENSÃO CORPORAL ATRAI E INTRIGA CURIOSOS

Por Fernanda Fioravanti Machado
Pela 2ª vez na Virada Cultural, a modalidade leva o público a observar a peculiar comunicação do indivíduo moderno com a história e conhecimento milenar
Olhos vidrados, câmeras apostas, respirações contidas e total atenção a um palco. Qualquer movimento brusco corre o risco de ser notado com maus olhares. Música ao fundo, uma televisão ligada no centro. Cordas vindas do teto e presas a ganchos que perfuram a pele de um jovem. Concentração e expectativa é o que paira no ar densamente. 


Quando as cordas começam a serem repuxadas, o espectador involuntariamente sente-se sendo suspenso em sincronismo com o jovem. Num piscar de olhos, ele é levantado até conseguir subir na TV. Ao descer, balança seu corpo para frente e para trás sem encostar os pés no chão repercutindo gritos travados na garganta da plateia. Quando finalmente volta ao concreto e corta as cordas, o público solta em coro um suspiro de alívio. O artista se curva em agradecimento e uma onda de aplausos se espalha pelo Largo do Paissandu, na República. Essa foi a cena que permaneceu por cerca de 30 minutos no segundo dia da Virada Cultural em São Paulo. O Largo foi palco das Artes e Modificações Corporais.
Dentre as atrações, o que predominou foram quatro performances de suspensão corporal. Com duração de apenas meia hora cada e realizadas pela Equipe Frrrkcon, as suspensões atiçaram os curiosos  e os praticantes desde as 22h30 de sábado até a última suspensão às 14h do domingo. E foi no último espetáculo que o jovem Thiago Soares, vulgo T. Angel, se apresentou. 
Thiago tem 29 anos e cursa História no Centro Universitário Fieo em Osasco. Teve seu primeiro contato consciente com a modificação corporal e com a suspensão aos 23 anos de idade, mas já interferia em seu corpo desde os 14. Suas primeiras leituras sobre a suspensão foram em 1998. Alguns anos foram necessários para sentir-se suficientemente maduro para a realização do processo. 


Inicialmente, diz ter sido tomado pelos sentimentos de medo e incapacidade, mas depois só houve espaço para a liberdade, força, paz e realização pessoal.  Thiago afirma que é através do corpo que questiona o mundo o qual pertence. “Muito embora os temas que eu discuto nem sempre são fascinantes, mas reconheço a emergência em abordar cada um deles através da arte e tão logo do corpo”. 
Para ele, por existirem várias formas de ser suspenso, cada experiência fornece sensações diferentes, mas sempre havendo uma busca. A primeira foi a do auto-conhecimento físico e mental, sem separá-los. Hoje, utiliza a suspensão dentro do campo da arte da performance, sempre havendo uma discussão como base. “A que realizei durante a Virada Cultural 2011 era sobre a fadiga das velhas teorias sobre a sociedade/mundo que ainda nos contam”.
Mas o que muitos não sabem é que a Suspensão Corporal teve origem há milhares de anos em diferentes tipos de culturas. Vários povos utilizavam-na (e ainda utilizam) como pretexto de religiosidade, cultos espirituais, fetiche ou apenas pela adrenalina produzida. Com o passar do tempo, o costume ficou mais conhecido e começou a atrair a atenção de pessoas ligadas a sensações extremas, os chamados "adrenaline junkies" (viciados em adrenalina) que aperfeiçoaram as técnicas criando novos meios de suspender o corpo usando ganchos perfurados na pele.
O processo é extremamente delicado e deve ser feito com muito cuidado por profissional da área com grande experiência, para que não ocorram graves ferimentos. O corpo da pessoa é examinado para que sejam decididos os melhores lugares, quantidade e tamanho dos ganchos de metal que serão inseridos. Encontrar os locais e as quantidades de ganchos apropriadas envolvem boa dose de habilidade matemática e compreensão incisiva de anatomia humana e fisiologia, bem como sobre a resistência da derme do indivíduo.
Thiago enfatiza que tanto na modificação corporal como na Suspensão, nem tudo pode-se dizer que é arte. “A suspensão é uma ação muito forte e dependendo do contexto em que está inserida a energia é potencializada, acho que isso é o que me fascina. São tantas emoções numa corrente ‘in’ e ‘out’ que me comove”. Adverte ainda que é uma prática que exige determinados cuidados e que requer um bem estar do praticante. Indica comer e dormir bem, e evitar drogas já que quanto mais “limpo” estiver, melhor será a percepção e exploração do que a suspensão proporciona. Além disso, assegura que o corpo é mais forte do que podemos imaginar: “os limites que nos colocaram a vida inteira são falsos”. 
Porém, há sempre o outro lado do espectador. Além dos que admiram, há os que não gostam, mas respeitam. E sobretudo, como em qualquer tipo de expressão, há os que repugnam e não veem sentido algum em pessoas sendo suspensas no ar para “sentirem dor”. Para Thiago, no que se diz respeito à prática da suspensão, acredita que o Brasil não está atrasado ao comparar com outros países. Aqui há bons profissionais e uma abertura cultural grande, mesmo que ainda em formação. É o que não ocorre em países como os da Europa. “O problema do Brasil em relação do preconceito é outra. Considerar toda manifestação corporal como arte é um problema sério. Arte não é lugar comum”.




quarta-feira, 27 de abril de 2011

UNIVERSO IMPRESSO É DIVIDIDO EM PLANETAS

Por Fernanda Fioravanti Machado
Tarde da noite, silêncio, apenas uma luminária para guiar os últimos segundos antes do profundo mergulho em um mundo onde o decorrer da viagem depende somente do passageiro. A cada virar de página um personagem, um cenário e uma trama são descobertos e ao desenrolar da história percebe que as folhas estão terminando, o clímax ainda está no auge e o tempo está se esgotando, mas espere aí! A viagem vai acabar tão rápido assim? O passageiro então corre e engole as palavras para chegar o mais rápido possível no último ponto final, mas melhor que um, ele encontra três. Sua jornada é prolongada, seu final feliz ainda está distante e assim, o prazer do mistério continua latejando em cada sentido de Carla Monteiro. 
Carla tem 22 anos, estuda Engenharia Industrial e herdou de seus pais a sede por tramas de ficção, aventura, mistério e policial que a fazem devorar cada vírgula e de vez em quando um romance para amenizar a adrenalina. Porém, mais que apenas livros, é fascinada por trilogias, pentalogias e o que vier pela frente. Realmente não se importa se vai demorar meses para chegar ao final, já que possui um prazer indescritível em comprar grandes séries, ler e expô-las em sua estante, e a cada noite admirá-las deixando sua imaginação flutuar em meio aos títulos de cada volume tentando, em vão, adivinhar o que virá em seguida.
Mas ultimamente Carla não está nem um pouco satisfeita. Ficou duas semanas viajando pelo interior de São Paulo com a companhia apenas de dois livros muito bem indicados por uma amiga próxima. Porém, não recebeu uma informação um tanto quanto crucial: a série “House of Night” de P.C. Cast, que aparentemente possuía apenas mais um volume para formar uma trilogia, na verdade era composta por mais dez continuações. 
No primeiro instante, Carla ficou animadíssima em saber que ia ser obrigada a pregar mais uma prateleira na parede de seu quarto para acomodar sua mais nova série gigantesca, mas seu entusiasmo foi arremessado janela afora quando acessou em um site de buscas e descobriu que no Brasil só foram publicados sete dos 12 livros e o oitavo chegará só em junho deste ano. “Eu realmente não acreditei! Já li os sete livros publicados aqui, estou terminando o oitavo em inglês pela internet, mas meu coração aperta cada vez que penso que ao termina-lo não terei nem uma versão em mandarim para matar minha curiosidade dos próximos capítulos”.
Do outro lado, Davi, 27 anos, vendedor há quatro anos da Livraria Saraiva aposta todas as suas fichas que as séries de livros estão em alta, pois os escritores descobriram que conseguem prolongar sua fama, ter maior visibilidade, ganhar leitores fiéis e acima de tudo ter uma retribuição financeira mais alta ao escrever uma história e dividi-la em alguns bons volumes. Para ele, essa descoberta ganhou mais intonação desde os sete livros do bruxo Harry Potter, no qual presenciou filas espiraladas de fãs em frente à livraria esperando pelo início das vendas de cada novo volume. “Era absurda a situação. Eles não iam se esgotar e nem aumentar ou diminuir o preço. Vi leitores chorando quando avistavam que os livros de uma caixa acabavam”, disse relembrando os momentos. 
Davi assegura que essa febre no Brasil foi agravada em 2008 com o lançamento dos quatro livros da saga “Crepúsculo” de escritora Stephenie Meyer e que trouxe à vida principalmente dos jovens os ex aterrorizantes vampiros e lobisomens. Nessa nova onda, eles são os mocinhos combatendo os ainda existentes sanguessugas do mal. Depois disso, novas tramas foram criadas e publicadas, e a série que está tirando o sono da Carla Monteiro também pertence a esse universo dos dentes caninos afiados.
Carla concorda com Davi ao reconhecer que as séries vampirescas estão sendo mais procuradas pela mulherada sem tanta distinção de idade. Agora sobre outros gêneros, os jovens comandam as compras e chegam a desenvolver e aprender até outro idioma para matar a curiosidade das histórias que ainda não foram traduzidas para o português. 
Então não é de todo o mal escritores prolongarem e aguçarem a imaginação de seus apreciadores, pois está mais do que claro que as grandes sagas estão beneficiando os próprios criadores não só no marketing pessoal, mas também fornecendo um reconhecimento maior do público fazendo-o procurar por outras criações do mesmo autor. Favorece também as livrarias, sebos e qualquer local onde é possível encontrar as edições e assim, esses seguidores transformam o local em um ponto de referência do encontro entre o seu mundo e outro no qual não hesita em se lançar de cabeça. E acima de tudo, e com certeza o mais importante, os leitores, os fãs de pequenos universos impressos em algumas dezenas de folhas, estão em primeiro lugar quando o assunto é aceitação e indicação dos dois anteriores. 
E é assim que pessoas como Carla são tratadas. Totalmente mimadas por todos os envolvidos do ramo desde a criação, publicação até à venda. “Na verdade, eu sei que grandes séries têm que manter um suspense e tudo mais, senão os leitores não iriam atrás e, com certeza, não haveria aquele friozinho na barriga que eu adoro ao saber que daqui algumas semanas o meu mundo ficará um pouco mais completo”. Será que ela se importa com esses mimos?


Matéria no blog do Jornal da UniFieo: Jornal Em Tempo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O PAPEL VERSUS A BOBINA


Por Fernanda Fioravanti Machado

Como muitas outras obras da literatura brasileira, “O Enfermeiro” de Machado de Assis publicado em 1896, foi adaptado para o cinema em 1999.  A história se passa em 1860 quando Procópio, rapaz formado em Teologia, vai até uma pequena cidade no interior cuidar do velho, rico, doente e agressivo Coronel Felisberto acabando por sufocar seu rude paciente. 

O conto é todo narrado em primeira pessoa a um interlocutor imaginário, com um foco narrativo no próprio personagem principal e protagonista do enfermeiro. A dramatização ocorre em volta da consciência de Procópio e é agravada ao saber que ele é o herdeiro universal de toda a riqueza do Coronel. O peso da culpa simplesmente lhe invade a vida a cada vez que é reconhecido por sua completa dedicação ao morto. Porém, o remorso do acidente o corrói fazendo com que invista grande parte da riqueza que passou a ter direito, em obras de caridade para assim ter um certo alívio de consciência. 
Com o passar do tempo e dos grandes elogios recebidos, acaba por se auto livrar da culpa e acreditar que o Coronel era uma ótima pessoa e de um coração enorme. Sendo assim, fica a ideia de que na maioria das vezes a atmosfera de valores internos - o enfermeiro cometer um crime - não é sinônimo de valores externos - todos elogiarem sua paciência e dedicação à um velho arrogante. 
E para completar, o narrador ao mesmo tempo que tem a consciência de seu erro, acaba iludindo-se e termina o conto com a frase: “Bem aventurados os que possuem, porque eles serão consolados”. Ela não passa de uma adaptação das Bem-Aventuranças da Bíblia para a questão em si, exemplificando que aqueles que possuem riqueza material não devem se abalar, pois independente de seus feitos na Terra, serão consolados e defendidos pelos que permaneceram e foram ajudados pelos primeiros. 
Ao analisar cada aspecto do conto com a visão da Semiótica, é possível identificar que ele é alinear já que não tem uma sequência cronológica dos fatos. O narrador começa no presente, volta ao passado e depois retorna ao presente novamente. E é dessa forma que tanto o conto escrito quanto o filme é tratado. Também pode-se verificar nas duas formas de representação o Objeto Dinâmico, que é o conto em si, a história passada pelo autor, e o Objeto Imediato, que é o conto na forma escrita e o conto na forma de filme. 
Já o Interpretante Imediato é a capacidade que o conto tem de transmitir algum significado ao seu leitor ou, no caso do filme, a seu telespectador. Ou seja, é passar ao leitor/telespectador a experiência vivida por Procópio em seu um ano que cuidou do Coronel Felisberto. Já o Interpretante em si é a conclusão e a moral que o leitor/telespectador chegou ao final do conto.
Avaliando apenas os aspectos cinematográficos, pode-se afirmar que o lado icônico do filme é caracterizado pela cenografia e pela fotografia que transmite emoção, dramatização, impaciência e frustração do protagonista. O lado indicial é caracterizado pelas expressões e sentimentos aflorados dos personagens. Desde a frustração de Procópio em não conseguir deixar pra trás o Coronel, até o remorso após a fatalidade. Já o lado simbólico é marcado pelo drama, o remorso e o segredo inconfessável do assassinato.
Comparando o filme à Tricotomia de Peirce, avalia-se três estágios. Primeiro a ‘imagem’ do filme é transporta ao telespectador com uma tensão e desconforto superficial de Procópio e a arrogância de Felisberto, mesmo que ele não esteja prestando atenção ao que está assistindo, já que - segundo Peirce - uma ‘imagem’ não precisa ser necessariamente visual, podendo ser acústica, ou háptica. Segundo está relacionado a operações com ‘diagramas’. O diagrama representa todo o contexto fazendo o telespectador entender porque o enfermeiro não conseguiu parar ao sufocar seu paciente e como ele, mesmo assim recebeu a herança. E em terceiro, a ‘metáfora’ que são os efeitos interpretativos produzidos pelas representações relacionadas. Assim que, assiste o conto e reflete sobre ele, chega à diversas conclusões e morais, porém a que mais fica evidente é como pessoas e fatores externos têm tanto poder sobre uma única pessoa, ainda mais quando ela está - de algum modo - fragilizada e esperando por aquela palavra de conforto e ilusão.
Ao decorrer da trama, há referências explícitas à religiosidade ficando claro o papel da Bíblia no protagonista. Desde o início, na primeira noite que passa com o Coronel, o enfermeiro lê um sermão da Bíblia. Após a morte de seu paciente, Procópio manda trazer o padre e logo após vela o morto. Depois que recebe a herança, constrói um túmulo todo de mármore ao Coronel e, por fim, diz: “Se achar que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha: ‘Bem-aventurados os que possuem, porque eles serão consolados’ “.
Quanto à classificação da linguagem visual, “O Enfermeiro” se enquadra de forma figurativa, pois representa acontecimentos do mundo real, da forma como podem acontecer com qualquer pessoa, sendo assim, e é de praxe da literatura machadiana, é tratado de maneira concreta, como se fosse um retrato da realidade.
Agora, mesmo que o filme não possa ser comparado a escrita, já que a última possui tantos detalhamentos que é impossível ser expressado em cada cena de uma trama, o filme dá uma realidade mais próxima ao telespectador. O filme consegue transmitir maior calor, maior aproximação e expressão por causa da imagem. Porém delimita a criatividade de quem assiste. 

Ao assistir um filme, a pessoa já recebe uma imagem pronta dos personagens, da fotografia  em segundo plano e de toda a magia que há em qualquer arte.  Já a escrita precisa de um esforço muito maior para conseguir gerar na mente do leitor aquilo que uma simples imagem refletiria em alguns segundos.
Porém, isso é apenas um detalhe para um dos maiores mestres da literatura brasileira, pois ele, mesmo com poucas palavras, sabe estampar em nossa frente tudo o que ele quis dizer, e mesmo assim deixar o leitor livre para criar e imaginar qualquer ambiente, com qualquer cor e qualquer forma. Seus personagens ficam a gosto de quem lê, mas não deixando influenciar no resultado final.
Dessa forma, acredito que primeiramente deve-se ler uma obra e saborear cada detalhe que lhe é proporcionado permitindo que a imaginação e criatividade fluam cada vez mais alto. Somente após o término da leitura, assistir à adaptação. Se fizer o contrário, lerá a obra com imagens prontas na mente, com personagens já classificados e irá desejar - por mais interessante que seja a leitura - pular alguns parágrafos para chegar mais rapidamente a parte de maior tensão. Dessa forma, perde-se alguns detalhes cruciais da trama.
Por Fernanda Fioravanti Machado

A Rádio Sul América Trânsito surgiu no dia 12 de fevereiro de 2007 e inovou trazendo para o Rádio as dificuldades do trânsito caótico de São Paulo. Tem como foco principal prestar serviços para o paulistano, que tem no trânsito um assunto importante no seu dia a dia. Esse objetivo está estampado no slogan que ilustra a campanha da rádio: "Rádio SulAmérica Trânsito 92,1 FM. Ajudando você a enfrentar o trânsito de São Paulo." 
Não demorou muito para que o sucesso aumentasse e a emissora começasse a receber milhares de e-mail’s, telefonemas e mensagens de texto dos ouvintes pedindo por maiores informações do melhor caminho a ser traçado. Porém, uma novidade proporcionou a extrema agilidade na informação: ouvinte começou a participar ativamente da programação como se fosse um repórter, passando a informação do trânsito diretamente das ruas da cidade. Isso deixou a Sul América Trânsito em uma posição sem concorrentes no mercado. 
O grupo Bandeirantes dá o suporte jornalístico - frequência, programação, produção e jornalismo. A programação das 6 às 22h é composta por informações de trânsito e boletins ao vivo das ruas de São Paulo. Das 22 às 6h, a rádio possui uma seleção musical e boletins de trânsito relevantes para o horário. 
Hoje, a rádio está no topo de audiência nos horários de congestionamento entre os ouvintes e é comandada no horário nobre pelo editor chefe e apresentador da rádio, Ronald Gimenez,  das 17h as 19h. Gimenez afirma que o principal objetivo da RST é minimizar os dramas enfrentados pelos motoristas nas ruas e avenidas da cidade. “Para isso, seria necessário criar uma estrutura que pudesse sobrepor o que já é feito pelas outras emissoras e criar diferenciais na programação. Temos a maior equipe de repórteres nas ruas (10 no total) e um contigente enorme de ouvintes que entenderam que a RST é o maior canal de comunicação sobre o trânsito na cidade. Não adianta repetir as informações que o Mapa da CET mostra pela web. É preciso oferecer confiabilidade, caminhos alternativos e principalmente, se mostrar companheiro do motorista”, conclui. 
Para a satisfação dos ouvintes, Ronald Gimenez afirma ter planos para aumentar a abrangência na cobertura dos problemas do trânsito, mas o foco de ampliação continua fortemente ligado a São Paulo e têm inúmeras inovações que estão por ser implantadas e que envolvem tecnologia.
Desde executivos, taxistas, motoboys, baladeiros, namorados, praieiros e até quem quer apenas chegar em casa, passam pelo mesmo problema todos os dias nas vias mais acessadas de São Paulo. A Rádio Sul América Trânsito conseguiu unir a informação com a interatividade e acima de tudo, a agilidade para melhor atender seus ouvintes e cada vez mais conquistar espaço no dia a dia do paulistano. Assim, tanto com ouvintes se passando por repórteres ou os próprios profissionais indo às ruas e traçando os trajetos mais congestionados indicando quanto tempo levou para concluí-lo, esbanja confiabilidade à emissora fazendo por merecer o mérito de única estação que aborda devidamente o tema ultimamente mais efetivo na vida de um indivíduo: o trânsito. 

INTIMIDADE ALCANÇADA


Por Fernanda Fioravanti Machado
Em sua segunda e tão esperada temporada, a modelo, atriz, estilista e apresentadora Fernanda Lima volta às telas da Rede Globo com o programa Amor & Sexo deixando as noites de terça-feira bem mais provocantes. 
O programa de auditório teve sua primeira edição em agosto de 2009 com a direção de núcleo e direção-geral de Ricardo Waddington e roteiro de Rafael Dragaud abordou a sexualidade e relacionamentos de maneira sutil e descontraída, mas direta sem ter exageros explícitos em seus quadros. 
Com o início da nova temporada, essas qualidades não se perderam, mas pelo contrário: recebeu novidades que prometem ao telespectador muitas risadas e conhecimento. Leo Jaime e sua banda continuam responsáveis pela trilha sonora de Amor & Sexo e os comentários e opiniões do cantor garantem o olhar masculino nas discussões apresentadas por Fernanda.
O programa tem a duração de dois meses e a cada episódio os quadros, os convidados, a plateia e os assuntos são modificados. Os temas vão desde o “GaYme” - jogo sobre, mas não exclusivamente, gays -, passando pelo “Jogo de Cama” - uma competição de perguntas e respostas que desafia um convidado famoso a seduzir uma mulher de maneira convincente - e vai até o momento mais informativo intitulado “Ponto Q?” que explica tudo o que está em alta e que as pessoas querem saber.
Mesmo tendo um foco maior ao público jovem, os adultos e idosos também não ficam para trás já que os assuntos abordados permeiam o dia a dia de grande porcentagem de seus telespectadores. Um grande exemplo é o casal de repórteres Valéria Abaurre Gonçalves e Fábio Gonçalves, que já comemorou suas Bodas de Ouro e, além de ser íntimo do público de Amor & Sexo, permanecem na equipe do programa desde a primeira temporada trazendo através de reportagens, assuntos íntimos, curiosos e nada comuns.
Nessa segunda temporada, os roteiristas - divido à críticas expostas em 2009 - prometeram não dar espaço para intenção de resposta a qualquer episódio e, sem dúvida, estão cumprindo com a palavra. Com a ajuda da auto confiança de Fernanda Lima nos palcos sabendo sempre envolver o telespectador em todos os temas propostos, também não deixa a desejar nas externas. Os quadros gravados em Nova York ou nas ruas do Rio de Janeiro aumentaram o sucesso e assim, deixando o programa bem mais dinâmico.  
Apesar de o programa ser temporário, não tem como dizer que se fosse prolongado a um semestre ou ter permanência efetiva na programação, ele deixaria de fazer sucesso. Há muito nesse campo a ser discutido e abordado, pois uma coisa que percebe-se com facilidade nos quadros é como os anônimos conseguem se expressar com maior facilidade e questionar sobre alguns aspectos que uma pessoa que mostrasse sua identidade não seria capaz. Dessa forma, muitos temas que, mesmo no período que estamos permanece em grande tabu dentre as famílias, sejam permitidos pelos pais para que seus filhos mantenham um certo contato com essa realidade através da televisão aberta e assim, despertando um maior interesse em ambas as partes para que isso se torne mais acessível e com maior poder de argumentação e curiosidade entre eles. 
Mesmo havendo algumas controvérsias de pessoas talvez um pouco conservadoras demais, dizendo que o programa é de mau gosto e que não deveria ter entrado no ar desde seu primeiro episódio já que crianças também podem assistir, a faixa etária permanece nos 14 anos. Com certeza a escolha não poderia ter sido melhor já que muitos assuntos ali tratados já são do conhecimento de muitos mirins. E isso não é uma escolha da sociedade e muito menos dos diretores do programa. O mundo já está nesse estágio de que um garoto de 12 anos já tem conhecimento precoce de assuntos que sua geração anterior, na mesma idade, não tinha. A infeliz realidade de garotas de 11 anos cuidando de seus bebês já pipocam em diversos grandes polos, assim não deixando muitas escolhas a não ser continuar instruindo as novas gerações.
E já que informação nunca é demais a nenhuma idade, a agilidade, a boa edição e as ágeis sacadas estão marcando esse novo período, sempre deixando um desejo de querer mais a cada final de bloco. E como em qualquer relacionamento, sempre deve-se apostar nas melhores escolhas e deixar de lado o que não funciona, Amor & Sexo continua trazendo seus telespectadores para debaixo do edredon e mantendo sua intimidade cada vez mais aberta. 

Porque ‘não’ não é resposta


Por Fernanda Fioravanti Machado

Há duas maneiras de assistir a uma palestra: a primeira é ir com o intuito de apenas escutar e absorver algo que é transmitido pelo palestrante e a segunda é entrar no recinto com um caderno e uma caneta em seus devidos postos para que a qualquer momento sejam disparados preenchendo  páginas como se tivessem vida própria com conteúdo que lhe for de maior importância. E foi dessa última maneira que entrei na sala de Fotojornalismo do Centro Universitário FIEO para assistir à palestra do fotógrafo José Luis da Conceição. Porém, Conceição não tinha os mesmos planos que eu.
Ao começar a narrar sua própria jornada, comecei a fazer jus ao papel e transbordá-los de anotações desde pequeninos, porém fundamentais, acontecimentos como o seu primeiro registro feito com a câmera da tia ou como (tentou) lidar com a frustração de ter queimado todas as fotos de sua formatura. Aos poucos, os episódios começaram a ficar mais próximos da realidade de jovens ingressantes no mercado - e ainda fico me questionando por que razão tive minha atenção completamente presa às suas palavras quando relatou seus primeiros ‘nãos’ ditos de tantas maneiras distintas...
E os fatos se desenrolaram das formas mais inusitadas e surpreendentes possíveis, trazendo até o professor de Fotojornalismo da UniFIEO, Edu Garcia, às puras gargalhadas, mostrando aos futuros focas e publicitários que as situações mais loucas e inesperadas acontecem sim nas melhores famílias. Porém, Conceição também mostrou que em qualquer ramo de Comunicação, não importando se é o jornalismo, se é a fotografia, a publicidade, a assessoria ou qualquer outra, nunca se pode aceitar um puro e simples ‘não’ como resposta final.
E isso ficou bem claro a todos ao contar suas experiências como quando trabalhava na Folha de SP e permaneceu dois meses lembrando Bóris Casoy que gostaria de aprender algo a mais já que possuía um diploma de fotógrafo e precisava colocá-lo em prática. Ou quando finalmente chegou ao ramo de freelancer ainda na Folha e permaneceu por lá durante dois anos fazendo pequenas pautas e até quando chegou a ficar três meses atrás do filho do dono de O Globo lembrando-o que também estava ali presente para ser contratado a um cargo, até então em sua opinião, merecido. Mas as respostas eram sempre as mesmas: “Poxa Conceição, você é muito novo ainda. Procura algum jornal de bairro”, e claro que nem sempre ou quase nunca com toda essa cordialidade.
Cheguei a achar, por um instante, que o fotógrafo havia desistido dessa carreira por um tempo quando disse que começou a trabalhar em um banco. Porém, sua última cartada - já que não ia perder nada mesmo - foi mandar um bilhete ao Otávio pedindo uma carta de indicação para que pudesse finalmente ingressar no que tanto almejava. Semanas depois, coincidentemente no dia 1o de Abril, recebeu a notícia de que havia chegado o recado que tanto esperava, e não... Dessa vez não era mentira e muito menos uma proposta de um jornal de bairro. Foi assim que Conceição trabalhou por dez anos no Notícias Populares e depois passou pelo O Globo e Estadão. 
E foi em meio a todas essas histórias incríveis que, quase ao fim da palestra, olhei para minha folha e notei espantada que não havia mais do que meia página com alguns rabiscos. Mas como? Eu lhe digo como. Além do profissional saber mostrar sua habilidade natural com a fotografia, com a comunicação e ainda mais com estudantes, simplesmente hipnotizou a todos da sala e conseguiu o que queria: fez com que esquecessem seus lápis e canetas para apenas acompanhar o desenrolar de sua trama pessoal. Olhei em volta e reparei que não havia sido apenas eu a coadjuvante e ao mesmo tempo plateia. Não avistei mais ninguém anotando nem uma sentença. Apenas apoiados com as mãos no queixo ou a ponta da caneta entre os lábios e os olhos vidrados naquele fotógrafo esperando o próximo capítulo.
Não me surpreendi e reconheci: José Luis da Conceição é um exemplo a ser seguido não só por sua carreia bem sucedida, ou pelas dezenas de elogios a ele atribuídos ou até pela flexibilidade e habilidade em lidar, transparecer e transmitir conhecimento aos futuros profissionais, mas sim por ter conseguido passar pela etapa mais difícil e interminável de um comunicador... Os ‘nãos’.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dois comentários sobre dois ícones da música brasileira. 
- Não esperem muito já que os dois foram feitos em 40 minutos e sem consulta a qualquer meio de pesquisa exceto ao prazer de escutá-los em seus últimos trabalhos.



E ele não para

Um dos maiores compositores que já conheci. Dormia ouvindo suas melodias quando criança e até hoje não sai da minha lista de artistas favoritos.
Djavan canta e encanta, porém, é daqueles artistas e cantores que ou gostam ou odeiam. Dessa forma, ele construiu sua carreira deixando sua marca ao longo das gerações. E seu mais novo sucesso foi composto através de outros sucessos. Faixas compostas originalmente por Chico Buarque, Luis Gonzaga, Vinícius de Moraes, Tom Jobim e Gilberto Gil dão sentido ao nome do disco: Ária. 
Fica claro que ele escolhe esse nome para enfatizar que as faixas contidas ali são marcos importantes na história. De compositores e cantores que fizeram a diferença ao longo da evolução musical.
Certamente, Djavan atinge seu objetivo, pois fica claro que ele escolheu a dedo cada música e deu seu toque pessoal à cada arranjo. Ele esbanja talento tanto como cantor como violinista e a harmonia que ele explicita em cada faixa é de nos fazer fechar os olhos e sentir cada acorde bater no fundo do peito.
É por essas e outras que tenho muitos CDs, a maioria passada de uma geração anterior e enquanto ele continuar lançando suas obras, continuarei adquirindo-as, pois acredito que essa é a melhor maneira de prestigiar o trabalho de alguém. 


Samba moderno de raiz
Seguindo os passos da mãe Elis Regina, a cantora e compositora Maria Rita encanta qualquer um por onde passa E não é só por sua beleza, mas principalmente pela sua voz única.
Maria Rita nasceu e continuou no meio do samba, e esbanja talento em seus shows e em cada CD que lança. Porém, mesmo tendo vivido nesse mundo há tempos, Maria só começou a dedicar-se à carreira depois de crescida. Foi com personalidades como Paulinho da Viola, Marcelo D2, Mart’nália, Alcione e Arlindo Cruz que aprendeu um jeito diferente de compor, de sambar, de respeitar e amar o samba como ele merece.
Em seu CD “Samba Meu”, Maria Rita coloca em cada faixa um toque pessoal. Não que não seja impossível de reconhecer a voz e o timbre singular de Maria, mas a maneira como ela brinca com as notas musicais como se fossem botões que liga e desliga quando bem entende, é simplesmente único - como sua mãe. 
Com o “Samba Meu”, Maria Rita traz a raiz dessa modalidade. Sem dúvidas ela quis mostrar e expor a alegria e a honra de ser um sambista nato. Ela reproduz um samba que ao escutar os primeiros acordes, o ouvinte já quer levantar e começar a se mexer.
Na primeira faixa, ela faz uma espécie e oração pedindo a permissão para passar adiante o que ela sabe sobre o samba. Pede licença para os antigos e respeitados sambistas para ela executar essa obra. A partir daí, ela começa com faixas extremamente harmônicas entre a voz e cada instrumento. Maria consegue conduzir, mesmo uma música com a letra triste, à um estado de paz e bem estar.
Dessa forma, é um dos poucos CDs que estão no mercado que faço questão de ter em minha estante para daqui algumas décadas mostrar à próxima geração do mesmo jeito que meus pais colocavam o vinil de Elis no toca discos.

INTIMIDADE ALCANÇADA


Por Fernanda Fioravanti Machado
Em sua segunda e tão esperada temporada, a modelo, atriz, estilista e apresentadora Fernanda Lima volta às telas da Rede Globo com o programa Amor & Sexo deixando as noites de terça-feira bem mais provocantes. 
O programa de auditório teve sua primeira edição em agosto de 2009 com a direção de núcleo e direção-geral de Ricardo Waddington e roteiro de Rafael Dragaud abordou a sexualidade e relacionamentos de maneira sutil e descontraída, mas direta sem ter exageros explícitos em seus quadros. 
Com o início da nova temporada, essas qualidades não se perderam, mas pelo contrário: recebeu novidades que prometem ao telespectador muitas risadas e conhecimento. Leo Jaime e sua banda continuam responsáveis pela trilha sonora de Amor & Sexo e os comentários e opiniões do cantor garantem o olhar masculino nas discussões apresentadas por Fernanda.
O programa tem a duração de dois meses e a cada episódio os quadros, os convidados, a plateia e os assuntos são modificados. Os temas vão desde o “GaYme” - jogo sobre, mas não exclusivamente, gays -, passando pelo “Jogo de Cama” - uma competição de perguntas e respostas que desafia um convidado famoso a seduzir uma mulher de maneira convincente - e vai até o momento mais informativo intitulado “Ponto Q?” que explica tudo o que está em alta e que as pessoas querem saber.
Mesmo tendo um foco maior ao público jovem, os adultos e idosos também não ficam para trás já que os assuntos abordados permeiam o dia a dia de grande porcentagem de seus telespectadores. Um grande exemplo é o casal de repórteres Valéria Abaurre Gonçalves e Fábio Gonçalves, que já comemorou suas Bodas de Ouro e, além de ser íntimo do público de Amor & Sexo, permanecem na equipe do programa desde a primeira temporada trazendo através de reportagens, assuntos íntimos, curiosos e nada comuns.
Nessa segunda temporada, os roteiristas - divido à críticas expostas em 2009 - prometeram não dar espaço para intenção de resposta a qualquer episódio e, sem dúvida, estão cumprindo com a palavra. Com a ajuda da auto confiança de Fernanda Lima nos palcos sabendo sempre envolver o telespectador em todos os temas propostos, também não deixa a desejar nas externas. Os quadros gravados em Nova York ou nas ruas do Rio de Janeiro aumentaram o sucesso e assim, deixando o programa bem mais dinâmico.  
Apesar de o programa ser temporário, não tem como dizer que se fosse prolongado a um semestre ou ter permanência efetiva na programação, ele deixaria de fazer sucesso. Há muito nesse campo a ser discutido e abordado, pois uma coisa que percebe-se com facilidade nos quadros é como os anônimos conseguem se expressar com maior facilidade e questionar sobre alguns aspectos que uma pessoa que mostrasse sua identidade não seria capaz. Dessa forma, muitos temas que, mesmo no período que estamos permanece em grande tabu dentre as famílias, sejam permitidos pelos pais para que seus filhos mantenham um certo contato com essa realidade através da televisão aberta e assim, despertando um maior interesse em ambas as partes para que isso se torne mais acessível e com maior poder de argumentação e curiosidade entre eles. 
Mesmo havendo algumas controvérsias de pessoas talvez um pouco conservadoras demais, dizendo que o programa é de mau gosto e que não deveria ter entrado no ar desde seu primeiro episódio já que crianças também podem assistir, a faixa etária permanece nos 14 anos. Com certeza a escolha não poderia ter sido melhor já que muitos assuntos ali tratados já são do conhecimento de muitos mirins. E isso não é uma escolha da sociedade e muito menos dos diretores do programa. O mundo já está nesse estágio de que um garoto de 12 anos já tem conhecimento precoce de assuntos que sua geração anterior, na mesma idade, não tinha. A infeliz realidade de garotas de 11 anos cuidando de seus bebês já pipocam em diversos grandes polos, assim não deixando muitas escolhas a não ser continuar instruindo as novas gerações.
E já que informação nunca é demais a nenhuma idade, a agilidade, a boa edição e as ágeis sacadas estão marcando esse novo período, sempre deixando um desejo de querer mais a cada final de bloco. E como em qualquer relacionamento, sempre deve-se apostar nas melhores escolhas e deixar de lado o que não funciona, Amor & Sexo continua trazendo seus telespectadores para debaixo do edredon e mantendo sua intimidade cada vez mais aberta. 

terça-feira, 1 de março de 2011

- Pois é.. As férias definitivamente acabaram e, contrário de muitas faculdades, a FIEO já está com tudo.
Como já estou fazendo outros trabalhos, que mais tarde postarei aqui (:, vou postar um que estava perdido em meio as papeladas do 4o semestre.



ORGULHO E DESESPERO


Por Fernanda Fioravanti Machado
Confirmado até pelo roteirista Bráulio Mantovani como “muito melhor que o primeiro”, Tropa de Elite 2 superou as expectativas e segue para a quinta semana em cartaz aumentando cada vez mais a chance de ultrapassar os 9,1 milhões de espectadores de Avatar e tornar-se, assim, o filme mais visto de 2010. 
Tropa de Elite 2, dirigido por José Padilha e é protagonizado por Wagner Moura que interpreta novamente o Capitão Nascimento. Dez anos mais velho, Nascimento sobe para Coronel e suas novas funções ajudam o BOPE crescer e, consequentemente, prejudicar o tráfico de drogas. Mas o que ele não percebe é que ao fazer isso está ajudando policiais e políticos corruptos com interesses eleitoreiros. Como na chamada do filme, os inimigos de Nascimento agora são outros. E pior: muito mais perigosos.
Moura continua roubando a cena. O primeiro filme foi rodado tendo seu personagem como um mero coadjuvante que só aparecia na tela aos 50 minutos do longa. “Ele era um personagem menor. Só que, graças à performance do Wagner, o Capitão Nascimento cresceu muito”, disse o roteirista Mantovani ao site da revista VEJA. O Tropa 1 foi escrito tendo como protagonista e narrador o personagem do André Mathias, interpretado por André Ramiro. Desde o início, a direção do filme sabia que poderia não dar certo e foi o que aconteceu. Mantovani afirmou que não se arrependeu, mas sim aprendeu com os erros do primeiro para estourar no segundo. 

Sem dúvidas que direcionar o foco na história do Capitão Nascimento daria um rumo diferente à trama. Dessa forma, ela transcendeu o universo da polícia para chegar à segurança pública. Os conflitos pessoais de Nascimento, que no primeiro filme eram periféricos e agora se tornaram a espinha dorsal junto aos seus conflitos profissionais tornaram o filme mais complexo e dramático. E mais ainda, ganhou a camada nova da política. 
O que vemos na tela se dá única e exclusivamente através do discurso do capitão Nascimento. São dele as primeiras palavras (“O Rio de Janeiro tem mais de 700 favelas...”) e as últimas (“Eu ia voltar para a minha família sabendo que tinha deixado alguém digno no meu lugar”). Ele começa com um aspecto documental, explicitando a realidade na qual vai inserir o espectador, para ir aos poucos mudando a narração à subjetividade absoluta.
Se Nascimento expõe os acontecimentos, detalha os esquemas de corrupção policial, debocha da classe média, ele o faz com o intuito de nos mostrar a sua angústia pessoal: a sua vontade de arranjar alguém que o substitua no Batalhão de Operações Especiais (Bope). E para isso, a direção do filme não tenta de forma alguma embelezar cenas de violência deixando a brutalidade do ato atingir quem assiste. 
[Processo contrário do que acontece em Batismo de Sangue – filme nacional recente e que exibe cenas pesadas de tortura. O diretor Helvécio Ratton parece fazer questão de expor os torturados filmando-os na maioria das vezes com ângulos fechados, a lente colada em seus rostos e olhos e enquadrando-os em contra-plongée apenas aumentando o tom sensacionalista das cenas.]
No filme, a violência e a corrupção na polícia continuam em alta como no primeiro, porém, na segunda edição, os assuntos são mais ambiciosos e assustadores. Ao invés de colocar a culpa do crescimento do tráfico nas mãos da elite que compra e financia a droga no país mesmo que utilizando quantidades para “consumo próprio”, a trama mostra que a raiz do problema está bem mais em cima: na política. Justamente nas pessoas que afirmam querer e ter planos para acabar com a venda e consumo de substâncias ilícitas. São eles que usufruem de qualquer situação para conquistar dinheiro e visibilidade, recebendo o apoio de demais políticos tornando o sistema – tão questionado e criticado - cada vez maior. 
Para muitos, Tropa de Elite 2 será o blockbuster do ano (filme que por ser de excelente qualidade, leva milhões de pessoas ao cinema, rendendo muito dinheiro em retorno aos estúdios, patrocinadores, etc), com direito a efeitos especiais importados, cenas de ação mirabolantes, frases de efeito e um enredo mais que inteligente. Mas por trás disso, há o retrato frio e realista da nossa sociedade. Um lugar que não mede esforços para arrancar dinheiro de qualquer meio e se pessoas demais estiverem sabendo dos atos corruptos, a queima de arquivo é colocada em prática sem o menor receio ou culpa. 
E é em meio a essas verdades que os demais países questionaram Padilha e Wagner Moura sobre a violência, o tráfico e a pirataria no Brasil. Esses foram os principais temas abordados em entrevista para a imprensa estrangeira em outubro deste ano. Os jornalistas perguntaram pouco sobre o filme, mas bombardearam o diretor e o ator com perguntas sobre a veracidade dos fatos mostrados no filme. Uma delas foi se a trama tinha intenção de provocar uma mudança na situação da segurança no Brasil, e a resposta muito cuidadosa de Padilha afirmou que não acha que seu trabalho tenha o poder de mudar a realidade, mas gostaria que fosse assim, porque a segurança não tem no Brasil a atenção que deveria ter. 
Outro ponto que foi bem insistente por parte de jornalistas portugueses é se a imagem de um Rio de Janeiro violento e corrupto não poderia interferir negativamente no turismo brasileiro, justamente no momento mais promissor, com a realização da Copa do Mundo de 2014. O diretor de Tropa respondeu dizendo que seu compromisso é “com as pessoas que vão assistir ao filme, não com o turismo”, e foi ajudado por Wagner Moura que complementou explicando que o filme retrata a realidade brasileira porque Padilha é documentarista. “Aqui dentro o filme tem a identificação do brasileiro que conhece este quadro, mas lá fora pode provocar perplexidade”, respondeu o ator. 
Sendo assim, com todas as informações que recebi antes de assistir ao filme e depois com todas as críticas expondo pontos cruciais da trama, quando saí da sala de cinema ao som de “Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo, sem saber o calibre do perigo, eu não sei d’aonde vem o tiro” (O Calibre – Os Paralamas do Sucesso) fui tomada por duas sensações: a primeira de entusiasmo por ter um filme nacional se tornando um marco importante na história do cinema brasileiro, já que pela primeira vez um filme sobre violência, drogas e política é narrado do ponto de vista de policiais. E segunda de desespero momentâneo pelo filme ter escancarado ao país uma realidade que nem todos enxergam ou não querem enxergar: vivemos em um país violento e há pessoas que tomam atitudes que jamais nos passariam pela cabeça. E o mais sufocante... Não temos para onde fugir. 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pictures

Final de semestre é assim né.. Posta tudo o que fez pra facul! Hhahaha
Então vou postar as fotos que fiz pro trabalho de Fotojornalismo II.


MOEMA, SÃO PAULO, BRASIL, 23-11-2010; Parque Ibirapuera no plano baixo: esportes, lazer e diversão vista de um ângulo nem tanto comum. (Fotos: Fernanda Fioravanti Machado / UniFIEO Campus Vila Yara)








LUXO À DISPOSIÇÃO: AGORA FICOU FÁCIL


Por Fernanda Fioravanti Machado
Com a ideia de que dividir é sinônimo de multiplicar, a Compra Compartilhada continua se expandindo pelo globo e ganha maior atenção no Brasil
O sucesso internacional do Time Sharing ou Propriedade Compartilhada teve origem na Europa do Pós Segunda Guerra e consiste em um sistema no qual várias pessoas são donas de um único bem. Um grupo compra cotas individuais de uma propriedade e usufrui dela de forma exclusiva em um determinado período do ano em esquema de rodízio.
As casas de veraneio, helicópteros e veleiros já estão nos planos e pagamentos mensais de muitos brasileiros. Até o ano passado, muitos se assustavam com a ideia de passar seis semanas a bordo de um iate, com todo o conforto de um bilionário por míseros 2 milhões de dólares – um oitavo do preço original. Mas hoje, a maior novidade é a venda fracionada dos automóveis de luxo. Essa opção ainda não está disponível no Brasil, porém não vai demorar muito para que uma Ferrari chegue a custar 100 000 reais. “Em tese é uma proposta interessante e viável para se adquirir parte de um bem de elevado custo e/ou manutenção”, diz o ex gerente executivo de multinacional e atual consultor de empresas Herbert Kowalesky.  Por outro lado, ele afirma haver uma grande diferença entre esse tipo de compra no Brasil e nos outros países: “Essa é uma atitude com forte componente cultural. O brasileiro, de modo geral, é possessivo e exclusivista. Creio que a idéia de ‘dividir’ algo que goste muito ainda o perturba, mesmo sabendo que por aquele bem tenha pago somente a sua parcela.”
A compra compartilhada surgiu como uma alternativa econômica para aqueles que sonham com um imóvel de lazer, mas não possuem meios ou até interesse em adquiri-lo individualmente. Herbert, que possui um Trawler (barco utilitário) há três anos, afirma que compraria uma propriedade compartilhada “provavelmente uma embarcação, um imóvel de veraneio diferenciado”, mas “... de toda forma, continuaria com meu barco exclusivo”. 
O grande ponto de interrogação na cabeça dos compradores ainda continua sendo os possíveis problemas que podem surgir ao longo da compra e do período de utilização dos bens. Muitas perguntas lotam os e-mails das empresas brasileiras de Compra Compartilhada e um exemplo é a da HeliSolutions – pioneira na introdução de programas de propriedade compartilhada de aeronaves no Brasil – que assegura a todo o momento que em caso de indisponibilidade para vôo por qualquer razão ou manutenção, ninguém será afetado já que eles oferecem a cada cliente uma frota de aeronaves prontas para o uso imediato. 
E é com afirmações desse tipo e sempre colocando as condições para adquirir uma propriedade de maneira muito clara e simplificada que as empresas deixam até quem nunca pensou na possibilidade da compra, com vontade de solicitar a visita residencial de um de seus consultores. Renato Max Oliveira da Silva, Diretor de Arte da Agência 3WP, é um deles e afirma que além de ser a favor desse tipo de compra, não hesitaria em adquirir um carro esportivo se tivesse poder financeiro para isso. “Além do custo da compra ser menor, todos os custos de manutenção também seriam menores e eu não precisaria ter esse bem comigo o tempo todo”. 
Porém, o que preocupa não só os clientes desse sistema, mas também os estudiosos dessa facilidade, é se o Brasil - que foi classificado em junho desse ano como o 6° país mais violento do mundo – será capaz de lidar com tantos bens de luxo circulando em suas ruas e se todos os participantes serão transparentes o suficiente para não gerar nenhum tipo de conflito relacionado à compra ou ao tempo de uso. O consultor Herbert Kowalesky acredita que a Compra Compartilhada fará sucesso no país, mas “isso dependerá dos players que estiverem no negócio e como darão visibilidade ao mesmo, e também a seriedade demonstrada”. E para o diretor Renato Max, a possibilidade da violência nos estados aumentar é grande. “Acredito que terá sim mais problemas de roubo por ter mais carros nas ruas, mas acho que isso é um problema muito maior e mais complexo”, afirma ele. 
A tendência da Compra Compartilhada é a constante novidade no ramo de negócios e com certeza já mostrou que ela veio para ficar. Está bem claro que ela pode extrapolar para outras classes sociais e todo o resto só depende do que o empreendedor quer, já que as possibilidades são gigantescas.